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Detecção de fugas

As técnicas de deteção de fugas representam hoje uma atividade estratégica e imprescindível na gestão, manutenção e modernização das redes de serviços públicos, em particular as de água, gás e eletricidade. Trata-se de infraestruturas extensas, frequentemente subterrâneas e sujeitas, ao longo do tempo, a fenómenos de desgaste, corrosão, solicitações mecânicas e variações de pressão ou temperatura, que podem gerar anomalias e avarias dificilmente detetáveis a olho nu. A capacidade de detetar atempadamente uma fuga ou uma avaria permite não só evitar danos estruturais e interrupções do serviço, mas também reduzir o desperdício, os riscos para a segurança e os custos de gestão. 

Nas redes sob pressão, como as de água e de gás, a deteção de fugas baseia-se principalmente na utilização de tecnologias eletroacústicas avançadas e, em casos específicos, na utilização de gases marcadores. Estes instrumentos permitem localizar com elevada precisão até mesmo fugas mínimas, que, de outra forma, poderiam permanecer ativas durante longos períodos, causando danos progressivos às infraestruturas e ao ambiente circundante. 

Do ponto de vista ambiental, as atividades de deteção de fugas desempenham um papel fundamental na proteção dos recursos naturais. A redução das perdas de água contribui para preservar um recurso cada vez mais escasso, limitando a energia necessária para o tratamento e o bombeamento da água. Da mesma forma, a deteção atempada de fugas de gás reduz as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, contribuindo para a contenção do impacto ambiental das redes energéticas. 

Do ponto de vista económico, a deteção precoce de fugas permite conter os custos de gestão e manutenção, otimizar os investimentos e prolongar a vida útil das infraestruturas. As intervenções específicas e planeadas revelam-se, de facto, muito menos onerosas do que as reparações de emergência ou a substituição prematura das redes. Neste sentido, a deteção de fugas não representa apenas uma atividade técnica, mas sim uma verdadeira estratégia de gestão sustentável e eficiente das redes tecnológicas, em consonância com os objetivos de resiliência, segurança e transição ecológica. 

Nas redes elétricas, sobretudo em condutas subterrâneas e em instalações industriais ou civis complexas, a deteção de anomalias e fugas de corrente desempenha um papel fundamental.  

Não se deve, além disso, ignorar o fenómeno das ligações ilegais às redes de distribuição… ALGORITMO LEAX 

Uma das tecnologias mais utilizadas na deteção de anomalias é a termografia por infravermelhos. As câmaras térmicas permitem visualizar as diferenças de temperatura nas superfícies e identificar pontos de sobreaquecimento anómalo, o que é frequentemente um indício de defeitos de isolamento, ligações soltas, sobrecargas ou componentes em fase de degradação. 

A análise termográfica tem a grande vantagem de ser não invasiva e de poder ser realizada em instalações em funcionamento, sem interromper o serviço. Para além das câmaras térmicas, são utilizados instrumentos de diagnóstico elétrico, tais como medidores de isolamento, analisadores de rede e sistemas de monitorização contínua, que permitem detetar perdas de energia, quedas de eficiência e condições de funcionamento anormais. Estas verificações preventivas contribuem para aumentar a fiabilidade global da rede, reduzindo o risco de avarias repentinas e de intervenções de emergência dispendiosas. 

No setor da água, a perda de água representa um dos principais problemas, tanto do ponto de vista ambiental como económico. Em muitas redes de distribuição, sobretudo nas mais antigas, uma percentagem significativa da água introduzida na rede é perdida antes de chegar ao consumidor final. Para combater este fenómeno, são utilizados diversos instrumentos acústicos capazes de «ouvir» os ruídos gerados pela fuga de água sob pressão através de fendas, juntas deterioradas ou rupturas nas tubagens. 

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Os sondadores acústicos eletrónicos constituem um dos instrumentos mais simples, mas eficazes, para a pré-localização de fugas. Aplicados diretamente em componentes acessíveis da rede, como válvulas de corte, hidrantes ou contadores, permitem ao operador perceber e amplificar os sons transmitidos ao longo da conduta. A estes juntam-se os geofones eletrónicos, instrumentos altamente sensíveis equipados com sensores piezoelétricos ou acelerómetros, capazes de detetar as vibrações transmitidas pelo solo na zona da fuga. O sinal acústico é filtrado e processado digitalmente, permitindo distinguir o ruído característico da fuga dos ruídos de fundo, como o tráfego ou as atividades urbanas. 

Para aumentar ainda mais a precisão, sobretudo em troços longos ou complexos da rede, utilizam-se os correladores acústicos. Estes dispositivos funcionam colocando dois sensores em pontos diferentes da conduta e analisando o tempo de propagação do ruído da fuga entre os dois pontos. Através de algoritmos de correlação, o sistema consegue calcular com extrema precisão a localização da fuga, reduzindo drasticamente a necessidade de escavações exploratórias. Os correladores modernos estão frequentemente integrados com software avançado e sistemas GPS, o que facilita o mapeamento e a gestão dos dados. 

Os «noise loggers», sensores acústicos instalados de forma permanente ou temporária na rede de água, desempenham um papel cada vez mais importante. Estes dispositivos monitorizam continuamente os níveis de ruído, sobretudo durante a noite, quando o consumo é mínimo e o ruído ambiental diminui. A análise dos dados recolhidos permite identificar variações anómalas indicativas da presença de novas fugas, possibilitando intervenções preventivas e uma gestão proativa da rede. 

Nas redes de distribuição de gás, a deteção de fugas assume uma importância ainda mais crítica devido às implicações relacionadas com a segurança. As fugas de gás podem, de facto, gerar atmosferas potencialmente explosivas e representar um risco direto para as pessoas e as infraestruturas. Para além das técnicas acústicas, neste contexto é amplamente utilizado o gás marcador, uma mistura geralmente composta por hidrogénio e azoto, segura, não tóxica e não inflamável nas concentrações utilizadas. 

O princípio do gás traçador consiste em introduzir a mistura no interior da conduta a inspecionar. Na presença de uma fuga, o gás, por ser muito leve, sobe rapidamente através do solo e é detetado à superfície por meio de sensores específicos de alta sensibilidade. Esta técnica é particularmente eficaz para detetar microfugas ou dispersões em troços complexos da rede, como condutas não metálicas, condutas de baixa pressão ou instalações internas. A elevada precisão do método permite reduzir significativamente as áreas de escavação e os tempos de intervenção.